Após um ano de hiato, está de volta o tradicional Congresso do Instituto Hugo de São Vítor: nesta edição contando com gravações das palestras e do concerto!

 Trouxemos um time de primeira para discutirmos tópicos importantíssimos com profundidade ainda não vista. Conforme um dos motes do Instituto, a verdade deve ser buscada na sua mais crua e por vezes dolorosa essência, se almejamos com ela chegar à libertação prometida: και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας. Para o Instituto, a verdade é a bússola da vida humana, que a conduz num caminho mais velho que o mundo.

O intuito do congresso é, portanto, reunir professores e alunos para uma grande conversa sobre assuntos pertinentes ao processo educativo que defendemos aqui no instituto.

 

VII Congresso de Artes Liberais

R$600
R$ 300,00
  • 14 Palestras
  • 8 horas de exposição
  • Gravação do concerto erudito didático

Palestra 1

Clístenes Hafner Fernandes

A Tábua de Cebes e as Núpcias de Filologia e Mercúrio

O Congresso abre com a palestra do Prof. Clístenes Hafner Fernandes. O Prof. Clístenes é um dos fundadores do Instituto. Tem ampla experiência com aulas de Latim, Grego, Retórica e sobre temas gerais de educação, desenvolvidas à distância e presencialmente. Também é autor do livro de poesia “Catábase e Anábase”. Sua palestra será sobre a Tábua de Cebes e as Núpcias de Filologia e Mercúrio, dois livros clássicos mas esquecidos que embasaram e influenciaram a educação ocidental como poucos outros o fizeram. A palestra trará ao palco de discussões a questão magna do lugar das Artes Liberais no plano mais amplo dos estudos. Tema esse que é dos mais prementes; porém, por isso mesmo, quase invisível a quem não tenha o trato longo e contínuo com a questão da educação clássica. Por tudo isso, será uma oportunidade ímpar de os alunos interessados serem apresentados a um problema intrincado e de verem como um estudioso trata dele.

Mesa 1

Mateus Mota Lima e Anthony Tannus Wright

Educação de Base e Método Socrático

A primeira mesa contará com a presença de Mateus Mota Lima, presidente e professor do Instituto Borborema, e Anthony Tannus Wright, fundador do Instituto Newman Brasil, que terão como tema a educação em sentido amplo.

O Prof. Mateus falará, mais especificamente, da educação de base, noção cujo sentido ao longo do tempo se modificou de forma até chocante. Todos nós, se pensamos um pouco no assunto, nos damos conta de que a ideia de educação de base terá, por força, de dizer respeito às ferramentas de que o aluno precisa para ingressar no mundo da inteligência. Hoje em dia não é mais assim. Tal conceito refere-se a uma massaroca pouco inteligível, e importa muito que busquemos trazer ao menos um pouco de sanidade de volta ao assunto.

Já o Prof. Anthony falará do método socrático, um dos ápices da educação ocidental, o qual, infelizmente, tornou-se mera referência em livros de história. Há um antes e um depois desse método, que consiste em formular questões e em pôr à prova as noções mais caras que temos, as quais, com muita frequência, não passam de opiniões mal formuladas; coisa que requer maturidade da alma e um desprendimento das próprias ideias que muitos alardeiam, mas poucos efetivamente demonstram.

Mesa 2

Sidney Silveira e Marcus Boeira

O Trivium e os Jesuítas (Manoel Alvares, Cipriano Soares, Pedro da Fonseca

A segunda mesa do Congresso contará com presenças de peso. De um lado, Sidney Sillveira, filósofo especializado em Santo Tomás de Aquino, mas também exímio escritor e conhecedor do português e do latim; do outro lado, como interlocutor, Marcus Boeira, profundo e renomado estudioso de lógica, mas, também, de literatura.

O tema da mesa serão os três principais autores que embasam os livros do Trivium da Coleção 7 Artes Liberais: Manoel Álvares, Cipriano Soares e Pedro da Fonseca.

A conversa girará em torno do estudo do Trivium, com discussões sobre os efeitos nefastos do seu abandono, possíveis soluções para sua retomada, dicas para o seu estudo e as boas consequências que advirão disso, ainda que num primeiro momento a retomada se dê em pequena escala.

Ninguém melhor do que esses amigos de longa data do Instituto para falar desse assunto, um dos mais importantes do nosso tempo.

Palestra 2

Mario Lucas Carbonera

A Máquina do Pensamento

A segunda palestra será por conta do Prof. Mário Carbonera, membro do Instituto Hugo de São Vítor, que também atua como revisor, escritor e tradutor, tendo traduzido o livro Ortodoxia, de G. K. Chesterton.

A palestra versará sobre o tema da imaginação e seu papel como potencializador da inteligência; daí vem o seu título: A Máquina do Pensamento.

Reina certa celeuma em torno da faculdade cognitiva chamada imaginação; uns a acusam de ser a vilã da história, outros dizem que ela é a panaceia para todos os males. A palestra buscará trazer luz à questão revisando a concepção antiga a respeito do tema – em especial a dos grandes autores como Santo Agostinho, São Gregório Magno e Hugo de São Vítor.

Essa investigação nos levará às técnicas de memorização dos antigos retóricos e a questão: sua finalidade seria apenas guardar vastos contingentes de informações ou, além disso, teriam elas a função de fermentar a inteligência?

Palestra 3

Diogo Fontana

Literatura e escrita

Na terceira palestra, contaremos com Diogo Fontana, fundador e editor-chefe da editora Danúbio, bem como autor do romance “A Exemplar Família de Itamar Halbmann”.

O tema será literatura e escrita. Por sua experiência, Diogo traz em sua pessoa as duas perspectivas mais importantes a respeito do assunto atualmente: a mercadológica e a autoral. Assim, ele falará da visão que olha para trás, para a tradição literária, e da que olha para frente, para uma retomada da produção de obras de ficção. Tal retomada é um evento longamente aguardado no Brasil – e que até já foi encetado, mas que, devido à ênfase demasiada em questões ideológicas, tem tido sua consumação perpetuamente adiada.

Até porque o abandono dos pruridos ideológicos momentâneos e um retorno às origens da cultura, as narrativas literárias e imaginativas, são pilares para uma ação política efetiva no futuro, a quem deseje empreendê-la.

Mesa 3

Eduardo Rocha e Higor Monteiro Paiva

Educação Matemática

Na terceira mesa, o assunto serão as matemáticas, os palestrantes, Eduardo Rocha, professor de Latim, aritmética e geometria do Instituto Hugo de São Vítor, e Higor Monteiro Paiva, diretor e fundador da Escola Palatina, presidente do Instituto Santa Hildegarda de Bingen e professor de matemática e literatura.

Teremos aqui uma discussão ampla a respeito do Quadrivium em todos os seus aspectos e matérias.

O Prof. Eduardo tratará de nos dar uma visão abrangente sobre o impacto esperado desses estudos na vida e na alma do aluno que os cursa, bem como uma visão histórica da evolução deles e do seu ensino nas escolas antigas.

O Prof. Higor falará, de modo mais específico, da teoria boeciana do número, mostrando como esse estudo, para os antigos, longe de ter apenas um viés técnico e aplicado, era também uma via que conduzia na direção da sabedoria, do conhecimento humano tanto do Cosmo como de Deus. Assim, ele explicará em detalhe os conceitos antigos de número, razão e proporção.

Com este amplo escopo, esta mesa pretende apontar as deficiências no tipo de estudo atual das matemáticas, bem como mitigar as dúvidas que pairam a respeito da concepção mais elevada dos números, que hoje jaz esquecida.

Palestra 4

Renata Bernardino

Educação Musical

A quarta palestra será da Renata Bernardino, professora de violino no Centro Suzuki Porto Alegre, e praticante do Método Suzuki, que se tem provado um verdadeiro celeiro de talentos onde aplicado.

O assunto, por óbvio, é a música. É um tema que toca praticamente a todos; tema que no Brasil, porém, recebe pouco tratamento erudito e intelectual. Todos gostamos de ouvir música, e em geral consideramos que se trata de uma atividade que compete aos afetos mais do que à inteligência. Na palestra, a Profa. Renata trará de novo ao debate a visão platônica da música, filósofo que a entendia, de modo eminente, como educadora da alma, a ponto de denominar todo o estudo que não era ginástica, de música. A música era tida como harmonizadora da alma humana, tanto para os filósofos, como para os mitógrafos. Se perdemos essa visão ampla do assunto, adianta pouco ouvirmos música mais elevada que a que nos circunda; precisamos ainda entender o que ouvimos.

A professora não ficará só no campo teórico, contudo, pois para bem entender o aspecto formal da música, importa muito conhecermos ao menos um pouco a técnica musical.

Palestra 5

Marcos Monteiro

A máquina do mundo

A quinta palestra individual será por conta do Prof. Marcos Monteiro, professor de astrologia e cosmologia no Instituto Lux et Sapientia e autor de livros sobre os mesmos temas.

O nome da palestra é expressivo: “A Máquina do Mundo”. Para quem já está familiarizado com a obra máxima de Luís de Camões, Os Lusíadas, a referência está clara. Mas essa ideia é antiguíssima, conhecida desde a era clássica; trata-se da contemplação, dada somente aos grandes sábios e heróis, do funcionamento do Grande Cosmo que nos envolve e, até certo ponto, influi em nossas vidas.

Voltando aos Lusíadas, não há melhor forma de descrever o Universo conforme visto pelos antigos do que a representação feita por nosso poeta máximo, e esta será o embasamento da palestra do Prof. Marcos.

A visão abrangente do modelo do Cosmo, ainda que muitos o considerem defasado, é essencial tanto para o entendimento de obras literárias quanto de obras filosóficas; e, alguns argumentam, segue válido, pelo menos do ponto de vista simbólico, até os dias de hoje.

Palestra 6

Rafael Brodbeck

Religião

A quarta palestra é por conta de Rafael Vitola Brodbeck, delegado, professor de direito penal e de doutrina católica.

O tema da mesa palestra é Religião.

Nesta mesa e na próxima, teremos discussões com um enfoque mais vivencial e experiencial do que teórico; assim, convidamos pessoas que vivem no seu dia a dia as matérias da religião e da filosofia.

O Prof. Rafael é antigo expositor da doutrina católica, tendo feito defesa dela na internet, como conferencista e em livros publicados. É ampla sua experiência na área. Também ele contará sua história e os métodos de que lançou mão para disseminar a doutrina de Cristo em terreno que parece ser tão pouco fértil, devido a inúmeras questões acidentais.

Esta palestra será o complemento das anteriores por prover aos presentes a perspectiva vivencial necessária a que não nos limitemos a uma abordagem puramente especulativa.

Mesa 5

Renato Moraes e Joel Gracioso

Filosofia e Teologia

A quinta mesa, que marcará o encerramento das atividades intelectuais do dia, terá a presença do Prof. Renato Moraes, que leciona Filosofia na Academia Atlântico e é autor do romance “Claridade”, e do Prof. Joel Gracioso, que leciona teologia e filosofia na Faculdade São Bento em São Paulo e é coordenador do Centro de Estudos Agostinianos.

Como sempre enfatizamos, após os estudos liberais, o aluno pode, se assim desejar e se sentir apto, passar aos chamados estudos superiores, os quais, na antiguidade, eram maximamente representados pela Filosofia e pela Teologia.

Ainda na mesma toada da mesa anterior, será dado relevo à experiência pessoal e acadêmica dos debatedores. Sabe-se que a academia atualmente recebe um sem-número de críticas, muitas pertinentes, e, pode-se dizer tranquilamente, passa por um momento de crise – principalmente nas matérias citadas.

Por isso, o debate também girará em torno de como se pode aproveitar e, quiçá, reformar os estudos acadêmicos para que voltem a ser o que já foram.

Concerto Erudito Didático

O propósito do concerto é ilustrar a história do canto coral, da Renascença ao Verismo italiano, com intervenções de solistas.

Ambientado na mais bela igreja de Porto Alegre, o repertório dialoga com o cenário religioso, tendo como fio condutor a música sacra ou de temática religiosa, passando por diversos compositores da história.

Com elenco estelar, o concerto reúne grandes cantores da música erudita de Porto Alegre num grande coro, acompanhado de instrumentos que colocam em relevo algumas das mais belas obras já compostas. Inicia pela renascença, passa pelo barroco, clássico, Romantismo alemão e francês, ópera alemã e italiana, e finaliza no Verismo italiano.

No repertório se contam obras ou trechos dos grandes mestres:

Giovanni Pierluigi da Palestrina, Gregorio Allegri, Henry Purcell, Johann Sebastian Bach, George Friedrich Händel, Wofgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Charles Gounod, Giuseppe Verdi, Richard Wagner e Piero Mascagni.

A regência é por conta do maestro André Delair, da Capela São Gregório Magno. Além de todo o já exposto, o concerto tem um teor didático, pois é permeado por comentários do Prof. Clístenes Hafner Fernandes antes de cada peça.

Rodolfo Wufhorst

Pianista

Elisa Machado

Soprano

Rosimari Oliveira

Soprano

Dêizi Nascimento

Soprano

Cintia de los Santos

Soprano

Andiara Mumbach

Soprano

Larissa Ramos

Soprano

Rodrigo Bloch

Contratenor

Cuca Medina

Mezzosoprano

Marcela Ferrari

Mezzo soprano

André Santana

Tenor

Francis Padilha

Barítono

Anderson Vasconcelos

Barítono

Igor Ruschel

Barítono

Repertório:
1- Sicut cervus – Palestrina
2- Miserere – Gregorio Allegri (trecho)
3- Come ye sons of art – Henry Pucell (trecho)
4- Cantata: Wachet auf, ruft uns die Stimme BWV 140 – Johann Sebastian Bach (trechos)
5- Canta Judas Macabeus – George Friedrich Händel (trechos)
6- Laudate Dominum – Wolfgang Amadeus Mozart (trecho)
7- Agnus Dei soprano Missa da Coroação (trecho)
8- Christus am Oelberg (Cristo no Monte das Oliveira) – Ludwig van Beethoven (trecho)
9- Sanctus da Missa Solene – Charles Gounod
10- Vergine Madre figlia del tuo figlio – Giuseppe Verdi
11- Coro dos Peregrinos – Richard Wagner
12- Innegiamo, il Signor non è morto – da ópera Cavalleria Rusticana – Piero Mascagni