O canto gregoriano

O canto gregoriano nasceu na aurora da Idade Média com a compilação de alguns hinos usados pela cristandade primitiva, inclusive advindas das sinagogas, por ordem do Papa São Gregório Magno (590-604). Aquela coletânea de cânticos eclesiásticos passou para a História com o nome de canto gregoriano em homenagem ao pontífice que dentre os inúmeros importantes trabalhos de seu pontificado organizou a liturgia de uma maneira muito próxima da qual temos hoje. Passados tantos séculos do seu surgimento, o Concílio Vaticano II definiu o gregoriano “como o canto próprio da liturgia romana”, destinado na ação litúrgica ao “primeiro lugar” (Sacrosanctum Concilium, 116). Em razão disso, os padres conciliares procuram estimular os fiéis a “cultivar com sumo cuidado o tesouro da música sacra” recomendado de maneira ingente à formação de scholae cantorum “nos Seminários, noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como em outros institutos e escolas católicas” (Idem, 114-115).

Anos mais tarde, o Papa São João Paulo II reafirmou a primazia do gregoriano: “no tocante às composições musicais litúrgicas, faço a minha ‘regra geral’ formulada por Pio X nestes termos: ‘Uma composição religiosa é tanto mais sagrada e litúrgica quanto mais se aproxima – no andamento, na inspiração e no sabor – da melodia gregoriana; e é tanto menos digna do templo quanto mais se distancia desse modelo supremo” (Quirógrafo de São João Paulo II sobre a Música Litúrgica, 12).

Testemunha do relevante papel que a música sacra tem na vida espiritual dos católicos desde os primeiros tempos do cristianismo, Santo Agostinho, em uma de suas mais célebres obras, as Confissões, afirmou que o contato com as piedosas melodias litúrgicas das cerimônias presididas por Santo Ambrósio o ajudaram a encontrar o caminho da Verdade: “Quanto chorei ouvindo vossos hinos, vossos cânticos, os acentos suaves que ecoavam em vossa Igreja! Que emoção me causavam! Fluíam em meu ouvido, destilando a verdade de meu coração. Um grande impulso de piedade me elevava, as lágrimas corriam-me pela face, e me sentia plenamente feliz” (Confessionum 9, 6: PL 769,14.).

Papa Francisco confirma os escritos de seus antecessores declarando que “nossa música atual se vê com freqüência acometida de certa mediocridade, superficialidade e banalidade que comprometem a beleza e a intensidade da celebração litúrgica.” (Discurso de 4 de março de 2017 – in O Espírito da Música, Bento XVI)

Movidos pela admiração para com o canto oficial da liturgia católica, muitos grupos, entidades, paróquias, seminários, mosteiros, etc procuram divulgar e, sobretudo, cultivar este inestimável tesouro. Em muitos templos sagrados do nosso país, afortunadamente, ecoa ainda o canto gregoriano conforme as recentes orientações litúrgicas dadas pelo Papa Bento XVI: “Na arte da celebração, ocupa o lugar de destaque o canto litúrgico. […] Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; conseqüentemente, tudo – no texto, na melodia, na execução – deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos. Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo – como foi pedido aos padres sinodais – que se valorize adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana” (Sacramentum Caritatis, 42).

O canto gregoriano, evidentemente, tem em sua essência a finalidade litúrgica e devocional, compostas para o rito latino da Igreja; mas também se oferece como uma modalidade cultural de música e prática de língua latina.

Com a união desse entendimento acerca do canto gregoriano, o Instituto Hugo de São Vítor firma uma importante parceria com a Capela Musical São Gregório Magno, sobretudo para o cultivo devocional, mas também para o estudo do gregoriano como uma opção musical que envereda aos mais elevados recôncavos do conhecimento.

Gregoriano em Porto Alegre

O projeto da Capela Musical São Gregorio Magno foi idealizado e conduzido pelo maestro André Delair na Catedral Basílica de Novo Hamburgo, onde atuou por quatro anos, conduzindo o canto de mais de 70 liturgias.

A sedimentação deste trabalho musical e espiritual, composto por homens leigos, adquiriu o reconhecimento de notórios conhecedores da arte do canto gregoriano, bem como a estima de tantos milhares de pessoas que tiveram a oportunidade de participar da liturgia conduzida pelo grupo masculino.

Com esta bagagem é que o Instituto Hugo de São Vítor estabelece uma parceria com a Capela Musical São Gregório Magno, oportunizando a quem reside em Porto Alegre o ensejo de cantar em um grupo especificamente de canto gregoriano. A proposta do grupo é manter e tornar viva a tradição desta modalidade de canto com participações ativas na Liturgia.

Os ensaios ocorrem às quartas-feiras na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, localizada na Rua Cabral, número 546, Bairro Rio Branco. Aos homens interessados em participar, não é exigido experiência ou prévios conhecimentos, mas é necessário disponibilidade para os ensaios que ocorrerão todas as quartas-feiras das 19h às 21h.

Nos próximos dias 13, 20 e 27 de setembro será feita uma seleção para quem desejar integrar o grupo.

Quem desejar mais informações, pode entrar em contato conosco pelo e-mail suporte@www.hugodesaovitor.org.br ou pelo telefone (51) 99709-6001.

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