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O Lixo Literário

O Lixo Literário

Fala-se em romances, poesias, tantas obras conhecidas vêem-se ainda na atmosfera “cult”,  até as aventuras das séries de TV um tanto complexas, novas interpretações de tudo que já se escreveu estão a todo o gás nas universidades brasileiras, ou até pela Europa e EUA, pois nas nossas noites, bem claras, às luzes brancas das calçadas ou fosforescentes, amigas de tantos insetos, num teto de bar por aí, as conversas chegam a dar ressaca de tão prazerosas. Parece estranho, na verdade, supor que tantas pessoas, muito provavelmente um número enorme, tenha conhecido tantas narrativas e histórias “interessantes” e não suporte literatura, porque a literatura se pareça um assunto repugnante.

Então, diz algum professor “o ensino literário está para ganhar uma nova roupagem, tantas coisas já foram produzidas, precisa ser atualizado. Nós precisamos saber o que estava na história, saber o que inspirou o homem no passado, mas não vamos perder muito tempo, queridos”. Parece que a voz de tantos já ganhou os megafones e agora substituiu as coisas retrógradas e insuportáveis cheias de adaptações que ninguém lê até o fim! Se tem adaptações é porque ninguém conseguia ler mesmo e “ainda bem que tudo isso está caindo das exigências curriculares”. Os mais positivos e até fissurados pela ideia de “educar o jovem” sempre pensam conhecer o suficiente de literatura de imaginação, pois os seus diplomas, inclusive, atestam isso! É claro que nossos alunos brasileiros têm essa mesma impressão, salvo exceções que, diga-se de passagem, sempre parecerão pedantes, até mesmo quando não são! Do mesmo modo, já não é possível compreender a ignorância da qual dizemos assim como expressou tão bem Chesterton a respeito das narrativas literárias, quando ele contrasta o crítico artista com o crítico pseudo cientista e pseudo filósofo.  Mas hoje não é mais possível compreender nesses termos, porque nem mesmo ler os estudantes deste século miserável podem. Quando decidem buscar algum tipo de formação superior se vêem em maus lençóis, já estagnados numa preguiça muito bem adornada que lhes inventa toda a desculpa possível para fugir de dores, com certeza, muito menores do que as que os esperam.

Com um time de preguiçosos tão forte como esse, é claro que perderemos até as almas mais dispostas para o gosto literário mais tosco. A verdade é que a literatura importante e insubstituível é ácida mesmo, é complicada e cheia de símbolos esquecidos, mal explicados, dá sempre a impressão de ter partes faltantes, mas nada que  a imaginação humana não possa alcançar, afinal de contas  “és homem ou rato”! Sabemos, evidentemente, de todo trabalho que foi feito durante os mais de quatro séculos contra as letras, onde destacam-se negativamente tantos homens que parecem ser incapazes de compreender o valor da tal Humanitas ou daquelas  poesias que “são mais uma mistura de palavras aleatórias”. Também vemos um fenômeno muito interessante nisso tudo, de poetas que dispensam a métrica e dispensam a antiguidade, porque julgam fazer algo totalmente novo, inédito, sem par. Os coitados normalmente perdem seu precioso tempo de ler boas histórias, dotando de palavras bonitas alguma meia dúzia de titicas que lhes ocorrem no “coração”.

Não queremos aqui defender que qualquer coisa que venha da cultura pop ou de algum escritor moderno seja horrível ou não seja inspirado, ou não seja digno, mas pelo menos deixar em poucas palavras o desprezo que temos pela fixação na ignorância. Os nossos maiores professores da nossa escrita, da nossa experiência estética nunca sairão dos seus lugares na antiguidade! Analogamente, não se pode arrebentar uma estaca  na fundação de um prédio, porque o prédio vai cair por inteiro.

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